Pois é meus amigos, há filmes que nos marcam.
Podem fazê-lo por diversos motivos, mas somos especialmente conquistados quando um filme retrata exacta e genuinamente uma experiência que esteja guardada na nossa memória pela felicidade ou infelicidade extremas que nos possa ter causado.
O filme em questão data de 2002.
A residência Espanhola recria uma experiência Erasmus de um aluno francês em Barcelona e fá-lo com uma classe e méstria sem igual.
Ao ver e rever (não me canso de repetir o visionamento) recordo detalhadamente todos os pormenores que vivi, dos mais pequenos e sórdidos àqueles que nos perseguem com nostalgia tal fora a sua grandeza.
Eu fui um português em Leipzig e não fui só mais um.
Respirei todos os poros daquela cidade como ela me respirou a mim como nunca antes.
E este filme aguça a lembrança.
O filme chega a parecer um documentário tal é a sua genialidade ao recriar as despedidas no aeroporto (que às vezes são eternas...), a chegada a um local estranho, o primeiro dia num local que ainda não é nosso mas que em breve o será, a procura de uma casa, as barreiras linguísticas, o poder do álcool no combate às mesmas (nada como uma boa dose de cerveja alemã para me por a falar fluentemente back in the days..), as trocas de olhares, as amizades efémeras ou eternas, a dor da partida e a angústia do regresso, entre tantas outras sensações que só quem as viveu as pode entender.
A quem nunca foi Erasmus deixo um conselho: não percam essa oportunidade!
O excerto abaixo é uma das minhas cenas preferidas do filme, quiçá vos chame a atenção!